sexta-feira, 13 de maio de 2011

Onde tudo continuou...


Não me lembro se era final de verão ou inicio de outono quando abri mão da minha vida. Das coisas que restaram eram fotos, cadernos, lembranças e transmutação de sentimentos. Não faz mais sentido continuar nessa cidade insípida e cinzenta e para tal preciso de um pouco de paz para me concentrar no trabalho e decisões importantes nos próximos dias.

Coloco post-it’s nas coisas para não perder nada, afinal as pequenas coisas que nos constroem se perdem e o que deixamos para trás não conseguimos recuperar tão facilmente. Os fracos de perfumes com “essência de lírios” já estão vazios e simplesmente não consigo jogá-los fora. Mas é hora de olhar para frente e desapegar das coisas que estão vazias. Devo desapegar de mim mesma? È... acho que chegou a hora. O taxi amarelo típico chega 13 minutos atrasados de um dia 13.

Malas prontas e vou para uma cidadezinha no interior da Europa. Da minha casa eu já não faço tanta questão mas guardo o velho chaveiro caso um dia volte...

Engraçado como a as cores se misturam dentro das caixas de papelão dos brincos, das cartas, os extratos bancários o velho diário infantil, uma pétala de rosa branca – seca e sem o menor sinal de vida – que um ursinho de pelúcia um dia segurou junto a um poema escrito em inglês às pressas num pedaço rasgado de papel. Nem acredito que deixarei isso para trás. ...

As folhas das arvores ja encontram no chao sua morada e o vento caricia a pele de quem passa na rua, apressado, confuso, dividindo culturas. "... é ... acredito que será melhor assim."





Avalon

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