Não me lembro se era final de verão ou inicio de outono quando abri mão da minha vida. Das coisas que restaram eram fotos, cadernos, lembranças e transmutação de sentimentos. Não faz mais sentido continuar nessa cidade insípida e cinzenta e para tal preciso de um pouco de paz para me concentrar no trabalho e decisões importantes nos próximos dias.
Coloco post-it’s nas coisas para não perder nada, afinal as pequenas coisas que nos constroem se perdem e o que deixamos para trás não conseguimos recuperar tão facilmente. Os fracos de perfumes com “essência de lírios” já estão vazios e simplesmente não consigo jogá-los fora. Mas é hora de olhar para frente e desapegar das coisas que estão vazias. Devo desapegar de mim mesma? È... acho que chegou a hora. O taxi amarelo típico chega 13 minutos atrasados de um dia 13.
Malas prontas e vou para uma cidadezinha no interior da Europa. Da minha casa eu já não faço tanta questão mas guardo o velho chaveiro caso um dia volte...
Engraçado como a as cores se misturam dentro das caixas de papelão dos brincos, das cartas, os extratos bancários o velho diário infantil, uma pétala de rosa branca – seca e sem o menor sinal de vida – que um ursinho de pelúcia um dia segurou junto a um poema escrito em inglês às pressas num pedaço rasgado de papel. Nem acredito que deixarei isso para trás. ...
As folhas das arvores ja encontram no chao sua morada e o vento caricia a pele de quem passa na rua, apressado, confuso, dividindo culturas. "... é ... acredito que será melhor assim."
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